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QUERO FAZER RECICLAGEM, MAS...

Cada vez mais o mundo caminha por ações que podem auxiliar o Planeta a ficar ainda melhor e diminuir esta tal agressividade humana com a Mãe Terra.

Reciclar tem sido a melhor saída dos últimos tempos, um ato simples, mas muito difícil de chegar a percentuais com significado relevante.

No Brasil apenas uma média de 40% das embalagens Pet são endereçadas aos processos de reciclagem e viram, por exemplo, fios sintéticos que são usados em diversos produtos, o saldo deste percentual bóia em rios, entope bueiros e pior, vai para os aterros sanitários, onde uma embalagem Pet tem um tempo de absorção pela terra de mais de uma centena de anos.

Compram-se pilhas, usam-se pilhas, e as jogam em lixos comuns e lá vão elas: engordar ou enjoar ainda mais o estômago de nosso Planeta.

Mais do que incentivar pessoas a fazerem coleta seletiva, para fazer funcionar a setinha arredondada da reciclagem, é necessário um compromisso muito maior dos produtores desses itens recicláveis.

Fabricantes de pilhas, por exemplo, deveriam ser responsáveis pela coleta destas pilhas usadas, nos mesmos pontos utilizados para venda, com algum tipo de incentivo aos consumidores, para que estes ao dirigirem-se ao supermercado ou outro estabelecimento pudessem levar suas pilhas, devolvê-las de maneira segura a um fim que não agrida o Planeta, com campanhas do tipo “Devolva 10 pilhas para reciclagem e ganhe um desconto em sua compra de pilhas” ou, ainda, um vale desconto poderia ser distribuído a quem colaborasse.

O mesmo poderia acontecer com garrafas Pet, com caixinhas longa vida, dentre outros produtos que aceitam reciclagem.

Pneus então nem se fala: eles podem até ser transformados em asfalto, mas também têm um elevado percentual que é enterrado; outro que vira fumaça para espantar pernilongo; outro que ajuda da propagação da Dengue e ainda um outro pior: que deixa mais “substancial” as tranqueiras nos rios.

Quem fabrica produtos recicláveis precisa ter uma cota de participação no caminho digno destes produtos retornarem a uma origem que não permita nenhuma agressão ao meio ambiente.

Morei num bairro onde caçambas com coleta seletiva foram instaladas. Era impressionante o empenho das pessoas em participar. Até que um dia, chegando de madrugada em casa, vi um caminhão de lixo comum simplesmente virando a caçamba, que custou a ser organizada, para dentro do caminhão sem nenhuma piedade, misturando todo conteúdo da coleta seletiva ao lixo comum do caminhão... Que barbaridade, pensei!

E não pense que isto não acontece ao montes por aí... Alguns bairros da cidade de São Paulo possuem uma coleta seletiva feita por veículos adequados com data marcada, porém antes que o caminhão da prefeitura passe para fazer a coleta, catadores de rua fazem “a limpa”.

O lixo pode ser uma fonte de riqueza e cidadania, a reciclagem pode fazer com que gerações futuras tenham um lugar adequado para seguirem suas vidas e criarem seus filhos.

Vamos lá fabricantes de produtos recicláveis, ajudem nossa população a praticar uma atitude cidadã: façam dos supermercados pontos de recolhimento de pilhas, pets, caixinhas longa vida...

A consciência plantada e incentivada hoje pode criar uma consciência cada vez mais próxima de um estágio que faça a Mãe Terra levar uma existência mais sadia e promissora a nós mesmos.

- Onde jogo minhas pilhas, onde jogo minhas caixinhas longa vida, onde jogo as pets, onde jogo o lixo eletrônico, onde?

- Onde?

Cesar Romão
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