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EMPRESAS VALORIZAM QUEM CHEGA E DESPREZAM QUEM ESTÁ

O comportamento fictício de muitas empresas em relação aos seus colaboradores tem expandido em proporções imensuráveis.

É apenas um comportamento de “balelas” para preencher requisitos e normas e manter a fogueira dos supostos programas de valorização de talentos em andamento, apenas para não perder a verbinha destinada para estes processos.

Um colaborador trabalha por 20 anos numa empresa, quer fazer um acordo para retirar o Fundo de Garantia e não consegue; um colaborador recebe uma proposta de um concorrente para ganhar 15% a mais, solicita que sua empresa cubra a oferta e não consegue.

Mas o pior é o desprezo por colaboradores que estão na empresa há muitos anos e são tratados como números num processo, fáceis de serem substituídos e que, se fazem alguma reclamação, recebem a frase institucional: “se não está contente pode se retirar da empresa”...

Isto é que é Valorização de Talentos!

Em muitas empresas novos colaboradores são hiper paparicados enquanto os mais antigos rastejam no silêncio amedrontador: quem chega é o bom, quem está é que atravanca a empresa.

Em muitas reuniões de briefing que realizo com empresas, os novos estão sempre criticando os velhos, os velhos são sempre a cultura “podre” da empresa e estes novos a salvação do futuro.

Pessoas com mais tempo de empresa, por menos que fizeram, devem ter feito algo importante, pois estão lá e, com certeza, possuem algo para ensinar.

Os novos precisam ser menos afoitos e procurar aprender esta cultura, que classificam de ultrapassada, mas que chegou ao ponto de abrir uma oportunidade para ele: o novo.

Os responsáveis pelos departamentos de relações humanas internas precisam acompanhar de perto as pessoas mais antigas, mantê-las numa linha de progressão junto ao mercado.

Outro dia um executivo me confidenciou que sua empresa exigiu dele um MBA em Gestão. Ele ficou feliz, mas quando encontrou o curso e solicitou à empresa que bancasse o custo, ouviu que a empresa disse a ele que “ele” precisava fazer um MBA e que, em momento algum, a empresa disse que custearia o tal curso.

Estas mesmas empresas vangloriam-se de tantas coisas escritas nos seus manuais, mas que não estão acontecendo no dia-a-dia de seus negócios.

Grande parte delas adora dizer que valoriza os talentos, mas quando este talento falta por motivo de doença do filho, descontam o domingo de seu pagamento; reclamam quando o talento chega atrasado, mas não lhe dão nem mesmo um agradecimento quando vira uma noite trabalhando para eles. Simplesmente acreditam que estes talentos estão dentro do espírito de equipe e sem hora extra.

Para que hora extra? Uma equipe é assim, faz o que precisa ser feito... É o que muitas dizem. Socializam o trabalho, mas não o lucro e os resultados.

Estilos e mais estilos vêm surgindo e poucos realmente têm compromisso com as pessoas. Muitas empresas até fazem projetos sociais apenas para transformá-los em marketing, para um aumento nas vendas. O mercado está cheio de empresas com projetos sociais que são apenas institucionais.

A verdade é filha do tempo e o tempo tem se encarregado de recolocar os talentos onde eles realmente merecem estar. Muitas empresas ao se arrependerem já não conseguem voltar atrás, pois aquele talento agora está criando lucro em outra organização que soube como reconhecê-lo em sua amplitude, tanto profissional como pessoal.

Por isso, meu recado aos Profissionais de Recursos Humanos / Relações Humanas que cuidam da retenção de talentos dentro das empresas: reparem bem o que pedem e prometem aos colaboradores, para que eles continuem a fazer parte de sua equipe. Senão, a cada dia, os melhores profissionais que possuem estarão no concorrente, sendo valorizados e levando o lucro que a empresa onde vocês administram esses recursos pode ficar parada no tempo e perder, além da lucratividade, a liderança que esses talentos fizeram com que ela tenha chegado onde está e se mantém de pé até hoje!

Cesar Romão
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