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NO BRASIL NÃO HÁ CRISE

A etimologia da palavra “crise” pode ser explicada de várias maneiras.

No chinês tradicional, é 危機 e, no chinês simplificado, é 危机

Uma representação utilizada como “perigo e oportunidade”.

No latim, “crisis” significa um momento de decisão, de mudança súbita.

No grego, “krísis” significa ação ou faculdade de distinguir.

A palavra ganhou destaque no século XIX no universo da economia, mas já era utilizada em 1429, na França; 1543, na Inglaterra; no século XVI, na Alemanha; no século XVII, na Itália; em 1705 na Espanha e no século XVIII em Portugal.

Era  a palavra, nessas épocas, representativa, economicamente, de um momento entre um surto de prosperidade e outro de depressão, ou vice-versa.

Na história da medicina, representava um momento decisivo entre a cura e a morte, devido ao fato de crítico na evolução de uma doença ou não.

No Brasil parece que a palavra crise não teve destaque em século algum. Nem terá. Aqui ela é muito utilizada para espalhar a tese de que algo pior do que está acontecendo vai acontecer, e muito breve. E, quando se acha que algo pior não poderia acontecer, algo muito pior acontece.

Não consigo ver a crise no Brasil a não ser na apologia dos que espalham nuvens negras pela economia e pela política.

Chego aos aeroportos, as filas de embarque são imensas, as pessoas com malas e malas; tento reservar um hotel, preciso fazê-lo com muita antecedência ou fico sem vaga; fico numa fila imensa de táxi no aeroporto de Congonhas por 20 minutos; quero uma passagem para o Nordeste ou Nova York na classe econômica, executiva ou de primeira, só consigo se comprar muito antes; preciso de uma passagem pela ponte aérea da TAM para o Rio de Janeiro no balcão, tenho de pagar mais de U$ 500; quero comprar um carro acima dos médios, tem espera; dentro dos shoppings, as pessoas carregam tantas sacolas que parece “dação” das lojas, e não “liquidação”; preciso reservar sala de convenção para meu Curso Anual Superando Desafios, não consigo com menos de seis meses de antecedência; nas praças de alimentação, não há lugar para sentar; nos restaurantes, filas de espera; os anúncios que dominam na TV são de eletrodomésticos, e as lojas vendem todo o estoque em suas promoções; nunca tanto brasileiro gastou tanto em Miami e Nova York, nunca tanto brasileiro viajou tanto pelo Brasil e pelo mundo...

Numa crise, as pessoas não teriam de economizar, tornar-se empreendedoras e andar mais cautelosas?

Talvez só se a crise realmente existir. Aqui as pessoas nunca gastaram tanto sem ganhar tanto.

Qualquer pessoa que vejo nos supermercados, também lotados com filas imensas em seus caixas, tem no mínimo três cartões de crédito na carteira.

Sei lá se estão comprando o que não precisam para mostrar a quem não gostam e pagar com o que não têm, mas que estão mandando bala, estão.

Vejo no Brasil apenas uma crise moral, uma crise política, uma crise humana, uma crise familiar, uma crise ética e uma crise espiritual.

Talvez a crise ética, se vencida, pudesse equilibrar todas as outras. A Ética é o elemento de equilíbrio do mundo. Uma convocação pela Ética deveria ter o mesmo potencial das campanhas políticas. A Ética é uma alavanca que, embora atualmente apodrecida, ainda sustenta a evolução humana. Somente as conquistas com Ética podem permanecer e produzir as transformações que as pessoas realmente precisam para uma vida feliz e sem crise alguma.

Eis a verdadeira expressão de crise, segundo os chineses: 危機perigo e oportunidade” – um país sem Ética é um país perigoso; um país com Ética é um país de oportunidade. A escuridão termina quando a luz chega.

Cesar Romão
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