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NÃO MUDE DE EMPREGO, MUDE DE CHEFE

      Eu tinha um ótimo emprego, tudo que alguém sonhava, num empresa extremamente disputada e ocupava um cargo mais disputado ainda. Tudo era ótimo, a não ser pelo meu chefe.
      Sei que talvez eu naquela época fosse anormal, por não me dar bem com meu chefe, na verdade não era eu que não me dava com ele, era ela que não se dava comigo. Afinal a culpa é sempre do chefe segundo seus subordinados.
      A situação estava tão estressante e a pressão tão grande que uma dúvida começou a bater em minha permanência naquela empresa. Ele fazia tudo para que eu me demitisse, porém minha gestão era produtiva e rendosa para a empresa, mas a guerra de nervos sempre me colocava entre a cruz e a espada. Será que valia perder um pedaço do fígado todos os dias, mas demonstrar capacidade e auferir lucros para a empresa e ser reconhecido por todos, menos pelo chefe evidentemente, afinal chefe nunca pode reconhecer, e criar substitutos.
      Antes de ficar sem fígado resolvi fazer meu currículo e tentar uma vaga em outra empresa, pois aquele era um chefe peixe, nadava sempre na maré da diretoria e sempre que a rede caia na turma, ele escapava pela onda. Era um momento triste, mas tinha de manter meu fígado.
       Meu currículo estava pronto e envelopado, pronto para ser enviado pelo correio á algumas empresas, não tão boas e simpáticas ao meu ao meu trabalho e carreira como aquela que eu estava, mas era uma questão de fígado.
       Eu estava inconformado de ter que me afastar de uma empresa onde podia manifestar todo meu desempenho e ainda mais uma empresa onde eu tinha sentimento pelo trabalho, mas era uma questão de chefe e fígado.
      Indignado, muito indignado e muito inconformado, era difícil aceitar, mas tinha de aceitar, eu iria mudar de emprego. Porém num estalo de lutar pelo emprego que eu gostava, decidi não mudar de emprego, decidi não deixar aquela empresa que eu tanto gostava por causa de minhas diferenças com o chefe e as diferenças do chefe comigo, que eram maiores que as minhas por ele, decidi então ficar no emprego e mudar de chefe.
      Ao invés de distribuir meu currículo, decidi distribuir o currículo de meu chefe. Sim, ziz um belo e elaborado currículo de meu chefe e o distribui por aí! Sem que ele soubesse evidentemente. Em pouco mais de 30 dias meu fígado e meu emprego estavam salvos.
      Segundo depoimento de meu chefe: ele estaria se afastando da empresa por receber uma proposta muito melhor que as condições que tinha naquela empresa e portanto estaria mudando de emprego. Uma das empresas das quais enviei seu currículo o achou fantástico. Ele se foi e não que eu quisesse, mas terminei assumindo o lugar dele na empresa. Ele foi muito feliz no novo emprego, aposentou-se naquela empresa.
      Muitos anos depois, ficou sabendo como foi parar lá e me agradeceu muito, lembro-me de sua frase: "Cesar Romão, tenho muito a lhe agradecer, se não fosse pela sua criatividade, talvez eu ainda estivesse naquela empresa medíocre, com aquele salário medíocre, naquela função medíocre, dirigindo pessoas medíocres, e prestes a perder o emprego, pois não tinha coragem de mudar e logo me tornaria dispensável, você me proporcionou uma grande oportunidade".
      Na verdade ele deixou de considerar em sua declaração, o estilo organizacional daquela empresa medíocre, que por oferecer um salário medíocre, para uma função medíocre de administrar pessoas medíocres, tinha que manter um capacitado chefe medíocre.
       Ainda bem que ele somente soube disto 7 anos depois...

      Não mude de emprego, mude de chefe!
      Tudo que é feito com criatividade, traz benefícios e resultados positivos a todos os envolvidos.

Cesar Romão
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