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FIDELIZAÇÃO INTERNA

Estar diante de organizações tem sido meu dia-a-adia, estar diante das tendências, das adversidades e dos cases de sucesso destas organizações, tem sido uma verdadeira constante.

Com pitadas e um olhar clínico, posso notar em meio a milionárias campanhas de marketing, intensos programas de treinamento, planos estratégicos motivacionais, estratégias de gestão, campanhas de vendas, que algo fica para trás, muito para trás.

Colaboradores envolvem-se em todas estas ações e fazem delas resultados para análise e acerto de pontos, ou mesmo mudança de rumo.

Nos lançamentos destas ações, muitas vezes convenções são organizadas para ambientar a equipe envolvida, tirá-la da zona de batalha e levá-la para um ambiente neutro, onde o celular não encontra barreira e toca mesmo no momento mais importante da transmissão de informações. Quando não, a coisa fica no entra e sai, afinal, apesar das pessoas estarem ali com toda sua organização e os membros mais importantes de suas equipe, discutindo dados importantes para sua gestão, no celular tem sempre alguém mais importante chamando, que tem de ser atendido na hora, e nem pensar em deixar a pessoa que faz tocar o celular deixar um recado na caixa postal para receber o retorno posterior.

Camisetas são distribuídas, para dar um conforto no traje e aliviar as roupas executivas, assim como criar um ambiente de igualdade e sintonia com a marca da organização, mas tem gente que não abre mão das roupas de seu armário e guarda a camiseta para dar para a alguém lá em casa.

Por algumas vezes já fui conduzido para convenções de vendas de fábricas de veículos que atuam no Brasil, por veículos contratados por estas fábricas para efetuar o translado que não eram de sua fabricação, mas sim de seus principais concorrentes de mercado, guiados por motorista contratado pela própria empresa.

A cultura do: “eu só trabalho naquela empresa, não uso nada de lá não...”, tem causado um verdadeiro vírus silencioso que atinge as organizações em seu mercado interno, que são seus próprios colaboradores, os quais deveriam ser considerados como primeiros clientes.

Inserir a cultura de uso dos produtos ou serviços de uma organização nas pessoas envolvidas neste processo é fidelização interna. Quem participa do produto ou serviço, acredita, confia e consome.

O vírus silencioso que atinge as organizações, faz com que elas atinjam seus resultados, cada vez mais, através do gasto com campanhas internas imitando o resultado, enquanto a campanha publicitária acontece, porém, quando ela termina, os índices voltam ao original sem o acréscimo de futuros clientes.

O mercado consome a campanha e não o produto. Eis o nascimento de uma organização que quando encerrar suas campanhas de marketing, encerra seu relacionamento de venda com o mercado.

Em tempos como estes, todos os colaboradores de uma organização necessitam ser fidelizados internamente, por varias razões, mas a primordial delas é que nenhuma equipe de vendas sozinha, vai conseguir manter os índices necessários para sustentação das estruturas organizacionais das empresas. Por outro lado, se ela tiver o apoio dos colaboradores de todas as áreas, que recomendem sua empresa a amigos, aos vizinhos ou mesmo vestem-se como outdoor ambulante de veiculação pelo simples fato de usarem as camisetas, as coisas podem ser muito diferentes.

Evidente que não se deve desprezar o que a concorrência está fazendo em termos de mercado, deve-se conseguir o máximo de informação sobre o fato, mas sua organização terá como missão desenvolver mais capacidade de sedução mercadológica de seu concorrente, este é um desafio diário, caso contrário, tanto seu cliente interno e seu cliente externo, quando se deparam com algo novo no mercado que lhes chame a atenção, vão ter certeza que, ao chegar em casa, encontrarão algo melhor.

Organizações que não conseguem criar a cultura de que as pessoas que fabricam estão convencidas da eficiência e sucesso daquele produto, necessitam repensar com urgência sua conduta de relacionamento fábrica x produto x público interno.

Não importa o quanto de desconto empresas necessitam conceder em seus produtos para que seus colaboradores os utilizem, não importa o quando tenham de facilitar para seus colaboradores adquirirem estes produtos, não importa o quanto tenha que se investir nesta cultura, o que importa é que uma das razões que pode perpetuar estes produtos no mercado é a confiança daqueles que os produzem, o que importa é que assim as campanhas vão ter como fonte de sustentação uma estrutura forte capaz de perpetuar as estratégias quando a campanha terminar, o que importa é que a fidelização interna demonstra o respeito e admiração dos colaboradores pela empresa e pelos produtos que ela se dispôs a inserir no mercado.

Cesar Romão
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