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MUDANÇAS A CAMINHO DE COMMODITIES

Mudanças, mudanças…
O negócio agora é mudar, temos que mudar…
Vamos mudando e mudando…
Acho muito interessante o fascínio que o “M” do Mac Donald’s exerce sobre as crianças, inclusive sobre meu filho Breno de 7 anos.
Estávamos fazendo nosso pedido no balcão, logo depois a bandeja veio, coloquei-a na mesa e meu filho logo dispara para buscar, em meio às caixinhas, o tradicional brinde do Mac às crianças:
– Pai, eles ainda estão dando este brinquedo? Ainda não mudaram?
Eis a questão…
Esta organização criou uma campanha constante de sempre oferecer um novo brinquedo aos seus clientes infantis e juvenis. Nesta ação, que acontece de tempos em tempos, sempre mudam o brinde e buscam, a cada mudança, algo criativo e atraente, porém talvez, agora, estejam enfrentando um novo paradigma.
O cliente-mirim que já recebeu por duas vezes o mesmo brinde pensa que a organização não mudou. Para ele o que importa é que isso aconteceu duas vezes na mesma semana. Ele não sabe se a organização está apta a mudar uma vez por mês, ou a cada quinzena. O que importa, para ele, é que se acostumou às mudanças e visitou a organização duas vezes na mesma semana e ganhou o mesmo brinde.
– Como pode ser isso, ainda é o mesmo brinde?
Os clientes estão se acostumando tanto às novas mudanças e às constantes alterações nas ações de mercado que já estão querendo que isto aconteça diariamente, ou a cada minuto…
Enfrento este tipo de abordagem também com meu site, alguns visitantes escrevem dizendo: puxa, a semana passada entrei em seu site e hoje voltei e não vi nenhuma mudança. Bem, tenho um site informativo e não um portal noticiário.
As organizações com certeza vão enfrentar (algumas já estão enfrentando) a síndrome das mudanças, que exigem mudanças instantâneas e constantes, que não permitem a implantação e a prática de novas mudanças por muito tempo.
Talvez seja este o momento de repensar até onde vai processo frenético de mudanças. Afinal de contas, em um momento, ele pode colocar as organizações como líderes de mercado e, em outro, fazê-las próprias vítimas de suas mudanças, tornando-as organizações obsoletas ou lentas diante do consumidor.
Ser uma organização tradicional pode, com um toque de arrojo e inovação, ser uma boa saída que não exija uma roda vida e consumidora de ações que poderiam se perpetuar por um bom tempo.
– Será que as organizações têm tanta capacidade de evoluírem em criatividade a ponto de mudarem diariamente para atender o cliente?
Inovar é muito bom, mas criar um processo de sucateamento da inovação mais rápido que o ato de mudar tem o poder de gerar um insaciável desejo do consumidor. Ele vai querer aceitar somente aquilo que é novidade realmente e, nem sempre, os novos produtos possuem a qualidade ou o prestigio de determinados fabricantes de mercado. Ainda é necessário um planejamento muito bom, em todos os sentidos, para inovar com produtos que mantenham a qualidade da marca.
Novidades não planejadas para durarem podem infestar o mercado de badulaques que não terão o papel de produto, mas apenas o papel de pílulas de farinha multicoloridas para causar a euforia do novo, e que não conseguirão estabelecer resultados em um relacionamento de produto e consumidor.
Em meio a tantas mudanças, acredito que chegou a hora de repensar a maneira de mudar. Senão estas mudanças vão causar efeitos negativos naquilo que realmente queremos mudar.
O consumidor está se tornando um elemento dizimador de produtos ou serviços que não mudam. Mas o que é pior ainda: algumas pessoas estão levando este processo para suas vidas, agindo da mesma maneira com as pessoas ao seu redor.
Basta você repetir a mesma roupa e alguém já faz um comentário negativo…
A tradição, aliada a um bom planejamento e inovação, pode ser um bom caminho de equilíbrio no caminho das mudanças que estão se tornando commodities.

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